Julio Henrique Rodrigues Gomes

Defesa

PREVALÊNCIA DE HORMONIOTERAPIA NÃO ASSISTIDA E MODIFICAÇÕES CORPORAIS NO PROCESSO TRANSEXUALIZADOR DE PACIENTES ATENDIDOS NO AMBULATÓRIO TRANS DE UMA CLÍNICA DA FAMÍLIA EM MACEIÓ, ALAGOAS.

Resumo

A hormonioterapia constitui demanda central no processo de afirmação de gênero de pessoas trans, estando associada à melhora de desfechos psicossociais e qualidade de vida. Contudo, barreiras estruturais no acesso aos serviços de saúde favorecem a prática da hormonioterapia não assistida, expondo essa população a riscos clínicos relevantes. O presente estudo teve como objetivo analisar a prevalência da automedicação hormonal e das modificações corporais em pessoas trans atendidas em um Ambulatório Trans de uma Clínica da Família em Maceió, Alagoas, bem como identificar fatores sociodemográficos associados. Trata-se de estudo transversarealizado entre setembro de 2025 e janeiro de 2026, com amostra de 104 participantes. A prevalência de hormonioterapia não assistida foi de 33,7%. Observou-se associação estatisticamente significativa entre automedicação e faixa etária (p = 0,011), além de associação entre menor tempo de hormonização e maior frequência de uso não assistido (p = 0,027), indicando maior vulnerabilidade nos estágios iniciais da transição. A principal forma de obtenção dos medicamentos foi a compra em farmácias sem prescrição (77,1%). Entre os participantes que realizaram automedicação, 34,3% relataram eventos adversos, sendo que a maioria não buscou atendimento médico após sua ocorrência. Quanto às modificações corporais, 12% dos participantes relataram realização de procedimentos além da hormonioterapia, incluindo cirurgias e uso de silicone industrial. Os achados indicam que a automedicação hormonal não se configura como escolha individual isolada, mas como prática associada a contextos de vulnerabilidade e dificuldades de acesso ao cuidado formal. A maior frequência do uso não assistido no início da transição evidencia período crítico que demanda intervenções precoces, educativas e estruturais para redução de riscos e fortalecimento do acompanhamento ambulatorial.

Palavras-chave

Transexualidade
Hormônios Sexuais
Automedicação
Sistema Único de Saúde.

Membros da Banca

Sabrina Joany Felizardo Neves (Presidente)
UFAL
Maria Aline Barros Fidelis de Moura (Interno(a))
UFAL
Alfredo Dias de Oliveira Filho (Externo(a) à Instituição)
UFS
Informações da Sessão
Out 22
Data e Hora
Terça-feira, 14:00h
Candidato(a)
Julio Henrique Rodrigues Gomes
Local
Presencial